Inseminação Artificial
A inseminação artificial é um método utilizado para tratamento de algumas
alterações da fertilidade do casal. Existem diversos tipos de inseminação
artificial, mas todos eles têm a mesma finalidade, qual seja aproximar o
espermatozóide do óvulo, transpondo um obstáculo feminino ou melhorando-se a
qualidade do espermatozóide.
Como ilustração, imaginemos como o processo natural se desenvolve. O
esperma, na relação sexual é depositado no fundo da vagina. O esperma
compõe-se do líquido espermático e dos espermatozóides. Este líquido tem
como finalidade transportar os espermatozóides do aparelho genital masculino
até a vagina, e de neutralizar a acidez natural feminina. Só os
espermatozóides penetram no útero, o liquido espermático é eliminado pela
vagina após a relação.
A parte inicial do útero é chamada de colo, e faz a ligação da vagina com o
útero propriamente dito. O colo produz uma secreção chamada muco cervical,
que tem como finalidade, na época da ovulação, permitir que os
espermatozóides penetrem com facilidade no útero.
A produção deste muco está sob controle do hormônio Estrogênio que cresce à
medida que nos aproximamos da ovulação, isto é, quanto mais próximo da
ovulação mais quantidade e maior qualidade do muco haverá.A interação do
muco com os espermatozóides é um dos exames fundamentais na avaliação de um
problema de fertilidade.
Os problemas encontrados nestes casos podem ter uma causa ou do muco ou dos espermatozóides. No lado feminino as alterações do muco podem estar ligadas
a uma incapacidade de produção, uma alteração da qualidade, o aparecimento
de anticorpos antiespermatozóides, entre outras.
No lado masculino as alterações de volume, numeração, mobilidade, e
morfologia podem incapacitar o espermatozóide a penetrar, e sobreviver no
muco cervical. A inseminação artificial é um método pelo qual nós
tentaremos suplantar
uma das dificuldades descritas acima.
COMO É O TRATAMENTO:
A fertilização ocorre na trompa, pelo encontro do espermatozóide que foi
depositado na vagina e percorreu o útero e a trompa, e pelo óvulo que foi
captado pela trompa no momento de sua expulsão do ovário.
Lado feminino:
Como o procedimento ocorre no momento da ovulação, precisamos monitorá-la
para saber qual o melhor momento. Teremos então dois tipos de tratamentos:
Um para as pacientes que tem ovulação espontânea e outro para aquelas que
necessitam de uma estimulação.
Ciclos espontâneos: Nestes casos monitoramos a ovulação pelo ultra-som e
pela avaliação da presença do hormônio que desencadeia a ovulação na urina.
No 1° ou 2° dia do ciclo menstrual realizamos uma ultra-sonografia para
avaliação dos ovários. Se não contiverem nenhuma formação residual,
prosseguiremos com o tratamento proposto.
No 9º dia do ciclo reiniciamos o seriado, que deverá então ser feito
diariamente, ou a critério meu ou do ultra-sonografista.
A partir do dia em que aparecer imagem de um folículo maior ou igual a 15
mm, a avaliação do aparecimento do hormônio LH na urina deve ser iniciado.Utiliza-se o Kit do CLEAR PLAN fazendo a reação com a primeira urina da
manhã e com a urina do início da tarde. No momento que a cor se modificar
significa que a ovulação deverá ocorrer de 24 a 40 horas depois. A
inseminação é realizada o mais próximo deste momento.
Ovulação induzida:
Três indicações básicas:
- Pacientes que não tenham ovulação.
- Pacientes que tenham ovulação, mas com uma qualidade hormonal baixa.
- Pacientes com ovulação normal. Segundo alguns trabalhos científicos; a
chance de gravidez em ciclos estimulados é estatisticamente maior que nos
ciclos naturais.
Utilizamos para induzir ou melhorar a ovulação, medicamentos que atuarão
estimulando o organismo a produzir hormônios, ou fornecendo diretamente os
hormônios que irão atuar no ovário. Todo estímulo de ovulação deve ser
monitorado para termos certeza da resposta, e para sabermos se a dose da
medicação utilizada é adequada.
Este controle pode ser feito em estimulações mais simples, apenas pela
ultra-sonografia seriada.Outros de maior complexidade, exigem além do
ultra-som, a avaliação da produção hormonal do ovário. Dependendo de cada
caso, faremos um protocolo específico, atendendo a cada perfil hormonal, um
tipo de estímulo.
A pergunta mais comum diz respeito ao uso de "hormônios". Habitualmente os
hormônios que atuam diretamente no ovário, são derivados humanos, isto é,
retirados de mulheres na menopausa ou de mulheres grávidas, que possuem
estes hormônios em quantidade excessiva. Hoje em dia utilizamos hormônios
produzidos por engenharia genética, pois são absolutamente puros se possuem
uma consistência de dosagem em cada ampola.Os que agem estimulando o organismo a produzir hormônios, estes são
sintéticos, mas a atuação deles se faz à distância. Outra dúvida comum é:
eles engordam? O estímulo da ovulação produz uma quantidade maior de
hormônio ovariano, o que faz com que a paciente apresente uma certa "inchação”, semelhante àquela que ocorre no período pré-menstrual no que
habitualmente desaparece com a parada do medicamento.
Não culpem somente o medicamento. Lembre-se que um estado tensional pode
fazer com que haja um aumento da "fome".
Os protocolos de estimulação da ovulação conseguem aproximadamente 80% de
resultados no que se refere à ovulação. Os 20% restantes são de má resposta
à indução ou retenção folicular ocasionada por flutuações inadequadas dos
hormônios.
Lado masculino:
Como dissemos, o esperma é formado pelo líquido seminal e pelos
espermatozóides.
Na inseminação, o importante é a quantidade dos
espermatozóides, sendo o líquido seminal dispensável. Como colocamos os
espermatozóides acima do colo do útero, e sabemos que este tem uma ação o de
transporte e nutrição só até a vagina, na inseminação ele é substituído por
um meio de cultura adequado.
Para isto realizamos uma espécie de lavagem do esperma (capacitação). Após
a ejaculação o esperma é misturado a um meio de cultura, e sofre uma
separação por centrifugação, o que faz a parte sólida (espermatozóides e
células) se
separarem do meio líquido. Em seguida colocamos esta parte sólida com uma
certa quantidade de meio de cultura, em repouso na estufa.
Os espermatozóides, pela sua mobilidade, irão nadar para o meio de cultura.
Coletaremos então só o meio de cultura, que deverá conter apenas os
espermatozóides mais móveis, e será esta amostra que inseminaremos. Além
desta técnica, dispomos de outras técnicas de "lavagem", que utilizaremos de
acordo com a qualidade espermática.
Todas têm a mesma finalidade, conseguir o maior número de espermatozóides,
com a melhor mobilidade, e a melhor morfologia.
Tipos de Inseminação:
Sabemos hoje que uma ejaculação normal depositaria na vagina no momento da
relação sexual, aproximadamente 80 a 100 milhões de espermatozóides (esperma
total).
Sabemos também que é necessário em torno de 100 mil espermatozóides em
contato direto com o óvulo, para que uma fecundação ocorra in vitro. Se
seguirmos este raciocínio, vemos que do total ejaculado, apenas 1% dos
espermatozóides chegarão efetivamente ao objetivo final.
Isto se deve a vários fatores, quais sejam: Eliminação de aproximadamente
metade do ejaculado entre a perda natural pelo refluxo que ocorre pela
vagina ao término do coito, e pela destruição natural do contato com a
secreção vaginal.
Como a ejaculação não se dá ao mesmo tempo em que a ovulação, os
espermatozóides vão se deteriorando neste período de tempo.
Muitos deles tomam o caminho da trompa errada, outros passam do local da
fertilização e caem no abdômen.
Enfim, estes e outros fatores levam ao fato de que o homem necessite
produzir um número tão grande de espermatozóides, para que apenas um seja o
escolhido para fecundar o óvulo.
Na inseminação o que fazemos é colocar os espermatozóides o mais próximo do
óvulo, no momento mais adequado, e com isto suplantar ou o obstáculo
feminino, ou a alteração masculina.
Hoje em dia, a técnica que apresenta os melhores resultados é a inseminação
intra-uterina. A sua realização é simples e indolor. Em posição
ginecológica, temos acesso ao colo do útero, com abertura da vagina por um
espéculo, que é o aparelho utilizado para exames ginecológicos corriqueiros.
Após a desinfecção do orifício do colo, introduzimos um cateter até o
interior do útero, ficando a aproximadamente 1 centímetro do seu fundo, na
zona mais próxima das trompas. Injetamos o concentrado de espermatozóides
que está diluído em 0,2 ml de meio de cultura.
O cateter é retirado, não havendo refluxo da amostra, a paciente pode se
levantar e retomar a sua atividade normal. Não é necessário repouso ou
modificação na vida pessoal.
Existem outras técnicas de inseminação que podem ser utilizadas, mas que até
o momento não se mostraram ser superiores, em termos de resultado, ao método
utilizado por nós.
A inseminação intratubárea é uma delas. Por esta técnica se introduz um
cateter, sob visão ultra-sonográfica no
interior da trompa diretamente. Apesar de fascinante, apresenta dificuldades
técnicas que os autores ainda não estabeleceram quais as implicações reais,
tais como, lesão do orifício uterino da trompa, entre outras.
Por estas razões e por não ter esta técnica obtido resultados, que tenham
sido repetidos por um número maior de equipes, no momento preferimos nos
abster de utilizá-la.
RESULTADOS:
Sabemos hoje que a chance natural de um casal que não apresente
dificuldades se situa em torno de 25% a cada ciclo, de engravidar e levar a
sua gestação até o término.
Na inseminação apesar de controlar a ovulação realizar a inseminação no
melhor momento com um esperma de boa qualidade ou melhorado ao máximo, a
nossa chance real deverá se situar no máximo em torno deste número. Os
nossos últimos resultados, que incluíam todas as indicações, foram de 33%
por ciclo tentado.
Os extremos desta análise estatística, foram de 6 a 8% para as alterações
espermáticas severas, e de 55% para a inseminação com esperma de doador, em
que o lado feminino era normal e o esperma reconhecidamente normal.
Quantas vezes tentar?
Esta é a pergunta que vocês devem estar fazendo.
O número dependerá de cada caso e vários fatores devem ser levados em
consideração. O que fazemos habitualmente é tentar 3 ciclos, e ao final se
não obtivermos resultados, reavaliamos o caso, para planejar uma outra
estratégia de fertilização assistida ou persistimos no tratamento, pois é
muito importante ter em mente que os resultados apresentados acima não
são cumulativos, isto é, as chances não são somadas a cada ciclo tentado, e
sim a cada ciclo vocês terão sempre a mesma chance.
CUSTO
O custo do tratamento inclui:
1 - Custo do acompanhamento ultra-sonográfico.
2 - Custo da medicação indutora ou do kit de detecção do hormônio na urina
(LH)
3 - Custo da "lavagem" do esperma
4 - Honorários médicos para acompanhamento do ciclo (inclui o acompanhamento
da ovulação, inseminação, material utilizado).
5 - Se por algum motivo a inseminação propriamente dita não for realizada,
será cobrado o preço de um acompanhamento de ovulação.